A julgar pelo que pode ser visto diariamente na mídia e nas ruas, muitas pessoas com idéias peculiares tem a pretensão de salvar o mundo. Isso sem contar aqueles que acreditam piamente que vão fazer isso, ou pior, aqueles que acreditam que já o fizeram. Quanto a esses últimos, não sou psicólogo, e não vou falar de esquizofrênicos aqui, mas tenho uma coisa ou duas para falar sobre os primeiros.
É facilmente observado que a maioria desses grupos cometem o erro de se tornar apenas “inimigos de <insira adversário aqui>” não acrescentando nada mais à nossa cultura e sociedade e muitas vezes se tornando, como todos os opostos, iguais com o sinal trocado. Outros, com a mente cheia de uma essência enigmática chamada “Verdade”, descartam toda e qualquer informação que não se encaixe em seus túneis-realidade, se prendendo em jaulas mentais. Até aí, nenhum problema. Mas a história mostra que estes tendem a impor, das piores formas possíveis, sua visão de mundo. Quanto a mim, tenho a convicção inabalável de que é um grave erro ter convicções inabaláveis.
O leitor mais esperto irá certamente pensar que isso não muda nada, eu continuo tendo um conjunto de crenças e convicções, como todas as pessoas do mundo. Por que eu ainda não saí em uma cruzada Discordiana, eliminando os CaraCinzas e explodindo as mentes alheias? Preguiça, talvez.
A essa altura, ativistas de todas as espécies devem estar se preparando para espancar um boneco meu pelas ruas, mas é fato que muitas vezes a verdade de hoje é a piada de amanhã, e muitos comportamentos que parecem inaceitáveis para você, não são para outros, e vice-versa.
Portanto, antes de espalhar aos quatro cantos do mundo a boa-nova e começar a cruzada que nos livrará de todos os males, pense: Será mesmo que isso tudo em que acredito é verdade? Autocrítica e canja de galinha não fazem mal a ninguém.
2 respostas Até agora ↓
Rev. Beraldo // Setembro 7, 2008 às 5:14 pm |
O Maior Problema é identificar a “verdade”. Identificando uma verdade, e acreditando nela, esses grupos todos acabam por cometer o erro fatal: impor sua ideologia como e melhor, como a verdadeira, como a salvadora.
A única coisa que, no meu, e provavelmente no seu ponto de vista, seria boa de se defender, é demonstrar que não existe verdade. Desse modo, qualquer um que quisesse levantar uma bandeira não causaria mal algum aos outros, e todas as diferentes verdades seriam respeitadas – afinal, nenhuma delas é melhor que a outra!
Reverendo Johnny P. // Fevereiro 4, 2009 às 1:13 am |
Será que nossa posição, de acreditar que não existe verdade não é simplesmente mais uma verdade? Qual a diferença, enquanto túnel-realidade, do nosso e de todos os outros túneis-realidade codificados nos cérebros dos outros seis bilhões e meio de pessoas neste planeta? Tenho fortes razões para acreditar que não há nenhuma diferença.